Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

PORQUE ANDAR COM ROUPAS DE BANHO RESERVAS EM RECIFE

Conversa entre casal de passageiros que tiveram a sorte de pegar um Ônibus que passa pela BR 101 Norte, no sentido Paulista-Recife, na região metropolitana de Hellcife; onde houve um trecho interditado por um maravilhoso transbordamento de rio pela manhã:
Marido
- Faz uma hora e 14 minutos e 30 segundos, isso está me estressando, eu estou me mijando, tem um homem fedorento do meu lado que já soltou dois puns e três moças atrás de mim pensam que fui eu...
Esposa
- Pare de resmungar. Você tem cada pantim feio! Nós já estamos chegando no terminal, depois é só pegar mais 3 ônibus até a Rodoviária pra gente poder viajar pra casa e ... hum... que fedor é esse...
Marido
- Caramba foi esse fedorento de novo... - gritando - Ninguém me olhe torto agora que não fui eu, já tô cansado disso, só porque eu tô com cara feia, vocês ficam me olhando...
Esposa
- Cala a boca, seu anormal - constrangida, ela belisca o marido - esse fedor vem daquele caminhão de galinhas que tá bem do lado do ônibus.
Marido
- Poxa, motorista, por favor, desvia desse caminhão!
Esposa
- Lourival, o ônibus ficou mais rápido, olhe, ele vai passar pela água...
Marido
- Finalmente, opa, tá passando, tá passando... tá enchendo de água, tá me molhando, motorista, faça alguma coisa, rápido! - Aderbal histérico.
Motorista
- Senhores passageiros, estamos realizando uma manobra rotineira de emergência, para aqueles que não estiverem acostumados com essa situação; prestem atenção: em hipótese de naufrágio nas laterais do ônibus, estão disponibilizados botes salva- vidas infláveis, caso os botes estejam rasgados por quaisquer motivos, os passageiros poderão se arriscar saindo pelas janelas e saídas de emergência no teto de forma tranquila e organizada para não virar baixaria; mas vocês ficam desde já orientados a não beberem a água do rio, é nojenta, pior que água da torneira... como só lembrei de trazer meu colete salva-vidas e o da cobradora gostosa, espero que vocês saibam nadar; dados os avisos, fiquem calmos e relaxem...
Marido - Amorzinho a água tá no meu pé, você trouxe minha sunga, né?

Esposa
- Você está usando sua sunga, Lourival, esqueceu que não tinha mais cueca limpa quando saímos da casa da sua mãe?

Marido
- Hum, isso muito me conforta, ainda mais porque a água subiu para os meus joelhos e o ônibus começou a se inclinar pro barranco...

Quem tá na chuva, é pra se lascar!

Fica a dica, caros Prefeitos e autoridades adjacentes, incentivem a população da Região Metropolitana de Recife a guardarem um kit roupa de banho de emergência para o caso de mais um alagamento rotineiro de manhãs de inverno. Planejamento urbano e reestruturação da cidade são coisas do passado.

Sábado, 4 de Julho de 2009

RELIGIÃO? RETRUCO, MAS ATÉ QUE ENTENDO...

Um grande amigo meu sempre me diz que preciso de uma religião e de um deus para me sentir bem comigo mesmo e com outras pessoas, sejam ele e ela quais forem. O problema é que eu, apesar de católico, não quero nem sigo a doutrina e nem acredito no deus mata-borrão, egoísta e que gosta de ser bajulado para garantir o funcionamento do universo.

Eu acredito apenas que há uma força maior que eu e que rege todas as lógicas possíveis do universo inteiro. O negócio é que meu amigo defende a crença num deus onisciente, onipotente e onipresente e esse meu deus é onipotente, onipresente, mas não onisciente – em vista que o universo tem uma lógica suprema (onipotente) (tanto é que se ele for “agredido”, volta-se contra os seres), está por toda parte (onipresente), mas não tem consciência de si mesmo. Pensando assim, não tenho nenhum deus a quem pedir ajuda, perdão ou bajular, restando-me apenas a crença no poder da humanidade em ajudar o próximo, viver em harmonia e o blablablá que todo mundo deveria fazer, mas quase ninguém faz. Meu amigo diz que é por pensar assim que estou mal sentimentalmente. Eu, infelizmente, tive que concordar.

Talvez se eu tivesse um deus que é umbigocêntrico, que gosta de puxa-sacos e a quem eu pudesse pedir ajuda, agradecer pelas alegrias e “culpar” por desafetos, eu fosse mais feliz. Alienado, mas feliz... Porque, deploravelmente, eu vivo em meio a muitos compatriotas e a uma humanidade que crê em deuses imaginários. Deploravelmente eu vivo em meio a pessoas que andam com cruzes nas mãos, pregando a paz e o amor e que, no instante seguinte, usam as mesmas cruzes para quebrar o crânio daquele que não adotou a paz e o amor ensinados. Eu vivo em meio à gente que prefere doar-se a deuses, em vez de fazer feliz o próximo, de cuidar da natureza para que ninguém sofra no futuro, de respeitar os outros em suas diferenças. Estou inerme a pessoas que creditam as próprias práticas a deuses e se “esquecem” que elas mesmas têm o poder da cura, da felicidade, do respeito, do amor e da paz.

Outro amigo (que é ateu) e eu sempre falamos sobre a existência de deus. Eu morro de rir: ele não entende quem acredita em deus e eu não entendo quem não acredita em qualquer deus... Eu não creio em outros deuses nem dou credibilidade a muitos, mas eu acho loucura não buscar um que seja, para que ele “dê” subsídios de sobrevivência harmoniosa... Os ateus dizem que não se pode provar que deus existe, mas o meu deus eu provo, pois ele está defronte de nossos olhos e tem soberania comprovada pela ciência. Até a hipótese do Big-Bang - que diz que o universo gerou-se e pôs-se em andamento após a explosão de uma pequenina esfera -, corrobora a favor da existência do deus que está e é tudo que há no cosmo...

(Agora querer saber de onde essa força surgiu é querer saber demais, não? O mistério que não se revela por epifanias ou pela pesquisa científica encanta mais do que a loucura em busca de um “pai” que tenha gerado deus e do “avô” de deus e por aí vai).

As pessoas, mesmo assim, podem me chamar de ateu, principalmente se souberem de minhas tristezas. Para muitos teístas, quem é triste demais não crê em deus, pois quem tem deus só vive feliz. Eu não preciso de um deus acalentador e de noções de alegria; o que eu preciso é de alguém que me entenda, que me ame, que fique comigo apesar de meus “defeitos” e “qualidades”, preciso de algo concreto, preciso de pessoas. Mas estas não estão interessadas nas outras. Elas estão ocupadas demais com seus santinhos, seus livros sagrados e com a defesa desmedida de ideologias... Não posso dizer que não faço isso, pois eu tenho minhas espécies de santos, livros sagrados (ou seja, pessoas que admiro e livros “normais”) e sou danado para defender, por vezes com ignorância, as minhas ideologias – quando alguém anteriormente as diminui a nada -, contudo, eu ao menos tento entender o próximo.

E eu entendo as pessoas que acreditam, por exemplo, no deus cristão. Elas de alguma maneira sabem que não é fácil acreditar na humanidade ou até mesmo nos próprios compatriotas, conseqüentemente se apegando a leis que “deus enviou aos homens”. Elas precisam de um ditador que não as deixe desistir da vida, já que confiar nos humanos é frustrante por tudo que aqui citei – inclusive, vale repetir, a mais valia de deuses em detrimento do “irmão” que está prestes jazer ao lado... Elas precisam de deuses a quem possam dirigir orações, pois é mais fácil esperar por milagres ao invés de agir.

*Extraído de anotações pessoais.

Sábado, 20 de Junho de 2009

Jornalista sem diploma? VOCÊ também perde.

No dia 17 de junho o Supremo Tribunal Federal abnegou a importância do diploma para os jornalistas do Brasil. A justificativa é que, segundo o STF, a função de jornalista pode ser exercida por qualquer um que lide bem com as letras, haja vista que Jornalismo é, ainda segundo o STF, igual à arte: não tem conhecimentos científicos e não carece mais que noções textuais. O profissional jornalista não será o único a perder com a medida.

Para presidente do STF, o jornalista é igualado a um cozinheiro. De modo algum pode ser negada a importância da culinária, mas deve-se assinalar que o Jornalismo é mais que saber qual cebola e feijões serão cozidos. Jornalismo requer a maior minúcia na hora de tratar os materiais de trabalho. Caso o jornalista descuide-se, as pessoas não tomarão um efervescente para melhorar; elas podem ficar vulneráveis moralmente à sociedade.

No curso de Jornalismo o estudante não só aprende a escrever parágrafos e pôr citações de pessoas no texto. Ele aprende, dentre mil coisas, quais são as fontes de informação, como entrevistá-las, usá-las; aprende as características e tipos de textos jornalísticos, como e quando usá-los. O estudante do curso de jornalismo ainda aprende, lançando mão das técnicas de entrevista e redação, a ter o máximo de objetividade e imparcialidade que cabem a um sujeito. Ainda mais: ele aprende sim, ao contrário do que pensam os leigos parlamentares do STF, conhecimentos humano-científicos sobre a Comunicação Social - como os ministrados nas disciplinas de Teorias da Comunicação, Comunicação Comparada, Psicologia da Comunicação, Sociologia da Comunicação, Comunicação Regional, Antropologia e Comunicação e tantas outras. Decerto o estudo dessas ciências é jovem, mas é pouco provável que alcance à idade mediana se essa decisão leviana seja levada a sério pela sociedade brasileira.

Não se pode descartar a possibilidade do erro jornalístico mesmo com diploma, mas é evidente que o erro é inerente a qualquer profissional, seja ele um médico, açougueiro, parlamentar, professor, arquiteto ou o que seja. O que difere em ter um diploma é que, dentro do mercado de trabalho, o profissional tem suas leis, ética, direitos e deveres sociais que devem ser cumpridos; caso não siga com o profissionalismo, é julgado como um infrator. A partir do momento que para ser jornalista não requer diploma, há a perda dos direitos trabalhistas; o piso salarial passa a inexistir legalmente; o código de ética jornalística perde valor; o Jornalismo passa a ser tratado por amadores sem escrúpulo e que trabalham fracamente por um salário vergonhoso; e, caso o jornalista atente contra a sociedade (com acusações mal colhidas, sem fundamentação, por exemplo), ele será julgado como qualquer pessoa e não como um profissional que infringiu as próprias leis e éticas – como se julga um médico por descuido com o paciente; um policial por abuso de poder; um farmacêutico por vender remédios sem prescrição médica.

Uma das empresas responsáveis por essa medida é a Rede Globo que, junto ao Sindicato Patronal de Tv e Rádio de São Paulo, resolveu entrar com um processo para acabar com o diploma do jornalista. A Rede Globo! A mesma empresa que, por má acuidade com a prática jornalística (ao entregá-la a não-diplomados), há uns anos acusou de pedofilia o Senhor Shimada, baseado na declaração de um pai que disse ter o filho molestado. No curso universitário de Jornalismo, o estudante aprende a ouvir e a citar no texto os dois lados da história e aprende a usar a palavra “acusado”, quando não há nada concreto. A Rede Globo pouco se importou com isto e publicou que havia um senhor, dono de uma escola de base, que molestava crianças. Após a família do Senhor Shimada estar arruinada, descobriu-se que a suposta criança molestada tomou remédios que causavam diarréia e conseqüentes assaduras. É este jornalismo mal apurado que se quer neste país?

O Supremo Tribunal Federal e a Globo alegam que a medida ressaltará a liberdade de expressão, aclamada pela constituição de 1988. E por acaso os integrantes do STF não usam sites, blogs, cartas, redes de televisão e de rádio ou mesmo não escrevem colunas para jornais? Por acaso o pré-universitário só pode entrar no curso de Jornalismo se se vender ao diabo? Os jornalistas brasileiros, por acaso, privaram a sociedade de usar os meios de comunicação?! Por acaso eles proibiram pessoas de trabalharem mesmo como amadoras em jornais?!

Em verdade, o que se quer não é nada mais que um trabalho regulamentado, com salários, direitos e deveres dignos. Mas se é para falar sobre direito à liberdade de expressão, por que as concessões dadas às empresas de comunicação do país são, em sua espantosa e estratosférica maioria, dada a parlamentares, enquanto rádios e redes de televisão comunitárias vivem na clandestinidade por não terem concessão para funcionar legalmente? Onde estão as concessões para as pequenas e médias empresas de comunicação? Onde está a liberdade de expressão para quem tem pouco dinheiro ou não ocupa um cargo de senador ou deputado da república? Será realmente uma medida para avivar a liberdade de expressão ou para que sejam contratadas pessoas certas para bendizerem os parlamentares e grandes veículos de comunicação? Sem sombra de dúvidas, a segunda opção.

Caso nada seja feito e a sociedade não mostre o devido repúdio contra a loucura de parlamentares leigos (que, vale salientar, exercem suas funções sem carência de diploma), as futuras manchetes serão lastimáveis. Num futuro próximo, talvez nem sejam documentadas nos jornais dantes sérios, que mais profissionais podem perder a obrigatoriedade ao diploma e os conseqüentes respeito social e profissionalização... Talvez não comuniquem que o médico pode ser igualado ao curandeiro (já que ambos podem curar), que qualquer um pode ser advogado, juiz, arquiteto, psicólogo, nutricionista, professor (desde que aprenda os respectivos saberes em livros), haja vista que os meios de comunicação não terão pessoas CAPACITADAS e SÉRIAS, não terão PROFISSIONAIS, mas sim MOLEQUES DE RECADO.


Mostre sua indignação para tal ação despótica, enviando e-mails falando como se sentem por estarmos prestes a receber informações de jornalistas sem ética, leis trabalhistas e sem comprometimento com o mínimo de objetividade e com a sociedade. Falem como se sentem por estarem vulneráveis a profissionais que não podem infringir leis, pois não as tem. Soltem o verbo!

Ellen Gracie (
ellengracie@stf.gov.br); Gilmar Mendes (mgilmar@stf.gov.br); Celso de Mello (mcelso@stf.gov.br); Marco Aurélio de Mello (marcoaurelio@stf.gov.br); Cezar Peluso (carlak@stf.gov.br); Carlos Britto (gcarlosbritto@stf.gov.br); Joaquim Barbosa (gabminjoaquim@stf.gov.br); Eros Grau (gaberosgrau@stf.gov.br); Ricardo Lewandowski (gabinete-lewandowski@stf.gov.br); Carmen Lúcia (anavt@stf.gov.br); Menezes Direito (alexandrew@stf.gov.br).